"Os Intocáveis de Minas": Zema lança série e acende debate sobre ética na política
O governador Romeu Zema surpreendeu ao lançar "Os Intocáveis", série que narra os bastidores de sua gestão. A obra gera polêmica: apoiadores veem transparência, enquanto críticos apontam uso da máquina pública para promoção pessoal.

BELO HORIZONTE – O Palácio Tiradentes tornou-se o epicentro de uma nova controvérsia jurídica e política nesta semana. O estopim foi o lançamento de "Os Intocáveis", uma série documental produzida integralmente pela estrutura de comunicação do Governo de Minas Gerais. A obra, que narra os desafios e "vitórias" da administração do partido Novo, reacendeu o debate sobre os limites entre a publicidade institucional e a promoção pessoal de agentes públicos.
A Narrativa do "Blindado" A produção adota uma linguagem cinematográfica para apresentar o que o governador Romeu Zema chama de "equipe técnica e imune ao sistema". Ao longo dos episódios, secretários de Estado são retratados como figuras centrais em batalhas administrativas cruciais, como a renegociação da dívida bilionária de Minas com a União e o polêmico plano de privatizações.
O título, "Os Intocáveis", sugere que os gestores são blindados contra a influência política tradicional, uma tese que é o pilar da comunicação de Zema desde sua eleição em 2018.
O Cerco Jurídico: Abuso de Poder e Promoção Pessoal Embora a série tenha sido celebrada por apoiadores como um exercício de transparência, especialistas em Direito Público e parlamentares da oposição enxergam uma possível violação da Constituição Federal. O Artigo 37 estabelece que a publicidade de órgãos públicos não pode conter nomes, símbolos ou imagens que caracterizem a promoção pessoal de autoridades.
Os principais pontos de contestação incluem:
Uso de Verba Pública: A série foi realizada com recursos do contribuinte, utilizando servidores e equipamentos estatais para uma narrativa que enaltece diretamente o grupo político no poder.
Omissão do Contraditório: Críticos apontam que o documentário funciona como uma peça de marketing, ignorando crises na segurança pública, protestos de servidores e impasses legislativos.
Precedente Perigoso: Juristas alertam que, se não houver fiscalização, a prática pode se tornar uma "campanha eleitoral antecipada" financiada pelo próprio Estado.
Xadrez para 2026 Para analistas políticos, o lançamento da série não é apenas uma prestação de contas, mas um movimento estratégico de projeção nacional. Impedido de disputar a reeleição ao governo estadual, Romeu Zema utiliza a obra para consolidar seu "modelo de gestão" perante o eleitorado brasileiro, pavimentando o caminho para uma possível candidatura à Presidência da República em 2026.
Na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), blocos de oposição já protocolaram representações no Ministério Público e no Tribunal de Contas do Estado. Eles exigem a abertura de uma auditoria para identificar os custos totais da produção e apurar se houve desvio de finalidade.
"A transparência é o sol da democracia, mas quando ela é filtrada por lentes de marketing institucional, corre-se o risco de transformar o governo em uma vitrine de autopromoção", afirmou um parlamentar de oposição durante sessão plenária nesta manhã.
O Governo de Minas, por meio de sua Secretaria de Comunicação, defende a legalidade da obra, afirmando que o objetivo é meramente informativo e educacional, visando aproximar o cidadão das decisões que impactam a economia do estado.
